Biblioteca dos SantosNossa Senhora Aparecida
Quem foi
Nossa Senhora Aparecida
Nossa Senhora Aparecida é a manifestação da devoção brasileira à Imaculada Conceição de Maria. Não se trata de uma nova pessoa ou de uma nova aparição de Nossa Senhora, mas da mesma Virgem Maria venerada pela Igreja sob o título de Nossa Senhora da Conceição Aparecida. A história dessa devoção começou em outubro de 1717, quando os pescadores João Alves, Domingos Garcia e Felipe Pedroso foram encarregados de conseguir peixes para um banquete oferecido ao governador da Capitania de São Paulo e Minas de Ouro, o Conde de Assumar. Depois de várias tentativas sem sucesso, os pescadores lançaram novamente suas redes no Rio Paraíba do Sul. Primeiro encontraram o corpo de uma pequena imagem. Em seguida, encontraram a cabeça que pertencia à mesma escultura. Depois disso, ao lançarem novamente as redes, conseguiram uma pesca abundante. A imagem encontrada representava a Imaculada Conceição. A partir daquele momento, passou a ser chamada pelo povo de "Aparecida", por ter sido encontrada nas águas do rio. A pequena imagem começou a ser venerada na casa de Felipe Pedroso e, posteriormente, foi levada para uma pequena capela construída para acolher os devotos. A devoção cresceu rapidamente e, ao longo dos séculos, espalhou-se por todo o Brasil. A escultura original é feita de terracota e possui aproximadamente 36 centímetros de altura. Sua autoria é tradicionalmente atribuída a Frei Agostinho de Jesus, embora essa atribuição permaneça como uma hipótese histórica e não como uma certeza documental. Ao longo de sua história, a imagem passou por diferentes intervenções de conservação. Em 1978, porém, sofreu o episódio mais grave de sua trajetória. Na noite de 16 de maio de 1978, durante uma celebração na antiga Basílica de Aparecida, um jovem conseguiu quebrar o vidro que protegia a imagem, retirá-la do nicho e fugir com ela. Ao ser alcançado por um guarda do Santuário, deixou a pequena escultura cair no chão. A imagem se fragmentou em mais de 200 pedaços. Por sua importância religiosa e artística, os fragmentos foram recolhidos cuidadosamente e enviados em sigilo para o Museu de Arte de São Paulo — MASP, onde o professor Pietro Maria Bardi confiou o trabalho à restauradora Maria Helena Chartuni, então responsável pelo departamento de restauração do museu. Durante 33 dias de trabalho minucioso, Maria Helena reuniu os fragmentos e reconstituiu a pequena escultura, devolvendo-lhe sua forma. O trabalho exigiu extremo cuidado, pois muitos dos pedaços eram pequenos e frágeis. A imagem restaurada retornou a Aparecida em 19 de agosto de 1978, conduzida em um carro aberto do Corpo de Bombeiros. Uma multidão acompanhou seu retorno, formando um verdadeiro cortejo de fé pelas estradas até o Santuário. O episódio do restauro ganhou também um significado espiritual profundo. A própria Igreja no Brasil passou a contemplar a imagem restaurada como um sinal de que aquilo que foi quebrado pode ser reconstruído. Em sua reflexão sobre os 40 anos do restauro, a CNBB relacionou a imagem restaurada à própria dignidade humana: assim como a pequena escultura pôde ser cuidadosamente reunida, também a vida ferida pelo pecado, pela dor e pelo sofrimento pode ser restaurada pela graça de Deus. Depois do restauro, os cuidados com a conservação e a segurança da imagem foram ampliados. Hoje, a imagem original permanece protegida no Santuário Nacional em um nicho com vidro blindado, iluminação especial e climatização adequada, recebendo também cuidados periódicos de conservação. Em 1904, Nossa Senhora Aparecida foi solenemente coroada. Em 1930, o Papa Pio XI declarou Nossa Senhora da Conceição Aparecida Padroeira principal do Brasil, e a proclamação solene aconteceu em 1931. Assim, a pequena imagem encontrada nas águas do Rio Paraíba tornou-se, ao longo de mais de três séculos, um dos maiores símbolos da fé católica brasileira. Sua história é também uma história de devoção, preservação, restauração e esperança.
